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Pra não dizer que não falei das flores

Por Antonio Carlos Lopes, presidente da Sociedade Brasileira de Clínica
Médica

A história de resistência e empoderamento das mulheres existe desde que o mundo é mundo. Data de sempre, dos primórdios, da Idade da Pedra. O Dia Internacional da Mulher, para ser exato, não possui relação direta com o incêndio ocorrido em Nova York, em 25 de março de 1911 na Triangle Shirtwaist Company, quando 146 trabalhadores morreram, sendo 125 mulheres e 21 homens (a maioria judeus), que trouxe à tona as más condições enfrentadas por mulheres na Revolução Industrial.

A correlação mais palpável é que teria surgido a partir de uma passeata
de americanas, também em Mova York, em fevereiro de 1909. Seja como for, o certo é que, diferentemente do que muitos creem, o 8 de março só foi
reconhecido oficialmente como Dia Internacional da Mulher pelas Nações
Unidas em 1977.

É uma data de luta e de luto. Marca as contendas das mulheres de todo
o planeta por dignidade, igualdade entre os gêneros e justiça.

No Brasil, nossas mulheres também somam enfrentamentos e conquistas há séculos. Por exemplo, e sem ir muito atrás no tempo: é de 1827 a primeira lei sobre educação, permitindo que elas frequentassem as escolas elementares.

De lá para cá, são milhões as brasileiras protagonistas de vitórias brilhantes. Em 1885, Chiquinha Gonzaga saiu do script e estreou como maestrina, ao reger a opereta “A Corte na Roça”. Dois anos mais tarde, Rita
Lobato Velho, primeira brasileira a se formar em medicina.


Em 1917, Deolinda Daltro, fundadora do Partido Republicano Feminino,
liderou passeata exigindo a extensão do voto às mulheres. O pleito foi
contemplado em 1931, quando Getúlio Vargas promulgou Código Eleitoral,
garantindo finalmente o direito de voto feminino. Já em 1932, a nadadora Maria Lenk, de 17 anos, tornou-se primeira atleta brasileira a participar de uma Olimpíada.

Nos anos 50, foi a vez da inserção política, depois avanços históricos
como a pílula anticoncepcional, a ocupação do mundo do trabalho, a Lei Maria da Penha, o reconhecimento de feminicídio.

Eis que chegamos ao centro questão que afeta as mulheres na
atualidade. De acordo com o Mapa da Violência de 2015, último levantamento quantitativo nacional sobre o assunto, o Brasil é considerado o 5º país do mundo com maior número de feminicídios. Segundo dados divulgados pela Organização das Nações Unidas (ONU), só em 2017, foram 4.600 casos, ou seja, entre 12 e 13 mulheres são mortas diariamente.

A despeito de termos uma lei, de 2015, estabelecendo penas mais duras ao feminicídio, a impunidade é fragrante. Confiantes de que não serão punidos, criminosos seguem atacando mulheres sem freio. O resultado: 21 mortes e 11 tentativas de assassinato foram registradas somente entre 1º a 6 de janeiro de 2019.

É preciso cobrar das autoridades mais rigor no cumprimento da Lei e que todos os agressores/assassinos paguem por suas ações. Em futuros Dias das Mulheres, espero falar das flores que elas merecem por toda a construção
de dignidade, resistência e empoderamento como citei ao iniciar o artigo de hoje. Que as flores tenham cheiro de vida, não de morte.

Por fim, meu muito obrigado especial a minha esposa, filhas e netas.

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