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Mortes maternas

Morte materna, de acordo com a 10ª Revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-10), é a “morte de uma mulher durante a gestação ou até 42 dias após o término da gestação, independente da duração ou da localização da gravidez, devida a qualquer causa relacionada com ou agravada pela gravidez ou por medidas em relação a ela, porém não devida a causas acidentais ou incidentais”.

É preciso olhar para as nossas gestantes
O Estado de São Paulo viu a razão de morte materna aumentar de 35 para 60,6 óbitos a cada 100.000 nascidos vivos, entre 2.000 e 2017. Entre 2000 e 2015, aliás, as taxas globais de cesarianas no Estado subiram de 49% para 59%. No mesmo período, o índice de mortes maternas por hemorragia foi de 11% para 16%. Esses dados foram revelados pela Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (SOGESP) em setembro de 2020.

Chamado à realidade
Devido aos altos índices de mortalidade materna, a SOGESP tem chamado a população a refletir especialmente sobre a cesariana. Quando realizada sob indicações médicas, a cesárea é uma cirurgia essencial para a preservação da saúde da mãe e do bebê. Porém, quando não há justificativas, a mulher é exposta a riscos desnecessários sem benefícios claros. Aliás, o aumento de cesarianas está associado a hemorragias após o parto e, consequentemente, à morte materna.

Covid-19 e uma situação alarmante
Não bastando as situações já expostas acima, com a chegada da pandemia, em maio de 2020, o Instituto Santos Dumont mapeou que o Brasil teve mais mortes maternas – mulheres grávidas ou na fase pós-parto durante a pandemia – associadas à Covid-19 do que 8 países juntos. Dos 39 casos encontrados, 20 estão eram brasileiros, ultrapassando inclusive os dos Estados Unidos e do Reino Unido

Gravidez e Sociedade
A mortalidade materna escancara também uma outra dura realidade: as condições de saúde e o grau de desenvolvimento de uma determinada sociedade. Condições precárias socioeconômicas, baixo nível socioeconômico e de escolaridade, mulheres se arriscam em um abortamento, lares com a presença de violência doméstica e abuso, e por fim, falta de acesso a serviços de saúde de boa qualidade. Não à toa, um estudo realizado pela OMS estimou que em 1990, aproximadamente 585.000 mulheres em todo o mundo morreram vítimas de complicações ligadas a gravidez, mas apenas 5% delas viviam em países desenvolvidos.

Isso pode mudar!
Sim, existe luz no fim do túnel e essa realidade pode mudar se algumas medidas foram estabelecidas e tratadas com a atenção que merecem. Algumas delas:

  • Acesso ao pré-natal,
  • Redução de cesáreas, quando não há impedimento clínico,
  • Aconselhamento sobre os benefícios do parto normal,
  • Orientação sobre maternidade não planejada
  • Acesso a assistência médica de qualidade
  • Atendimento humanizado no pré-natal, parto e pós-parto.
  • Prevenir as gestações em mulheres com alto risco de morrer
  • Profissionais de saúde preparados
  • Serviços de Planejamento Familiar
  • Acesso à educação
  • Redução da gravidez na adolescência, que pode acarretar problemas sociais e biológicos.

Uma sociedade com mamães e bebês saudáveis é o mais puro sinal de que estamos no caminho certo para um mundo mais justo, menos desigual e mais feliz!

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